O cara da informática

Ele entende de computadores mas não é nenhum robô!

Arquivos Mensais: dezembro 2011

Uma questão de equilíbrio

Oi pessoal. Depois de passar um bom tempo sumido (a vida tava corrida demais), finalmente voltei a escrever para vocês.

Seguindo a linha de raciocínio do Mauro nos posts “Tudo que você precisa saber antes de comprar seu novo computador” e “Uma questão de memória“, vou tratar de uma questão que chega a ser polêmica e controversa no meio da informática: o equilíbrio de um sistema. Afinal, qual componente realmente faz a diferença em um sistema computacional? Há algum componente que realmente faz a diferença?

De fato, há alguns componentes que interferem no desempenho do sistema para melhor, mas também há outros componentes que podem interferir pra pior. Isso mesmo, pra pior! Esse é o grande “X” da questão: o desempenho geral de um sistema, do ponto de vista do hardware, é determinado pelo dispositivo mais lento e não o contrário! O conceito é simples: imaginemos duas caixas d’água, uma com capacidade de 1.000 litros e com um cano de escoamento de 5″ enquanto a outra tem capacidade de 1.500 litros e um cano de escoamento de 1,5″. É óbvio qual das duas tem maior capacidade, mas qual delas consegue ter a água armazenada em seu interior escoada mais rápido? Qual tem maior potencial de vazão? A resposta também é óbvia, não é?

No caso das caixas d’água, a caixa com maior capacidade teve seu potencial de vazão restrito por um cano de pequeno diâmetro. Em um sistema computacional acontece o mesmo, porém são vários os componentes a ser analisados. Essa análise muitas vezes é deixada de lado por quem vai comprar um novo computador, seja por desconhecimento técnico, seja pela propaganda enganosa da mídia e do comércio. Os anúncios de computadores de hoje em dia normalmente dizem assim: “Processador ‘X’ com ‘Y’ GHz de velocidade, memória de ‘Z’ GBs de capacidade, HD de ‘N’ GBs de espaço”. Mas espere aí! Quanta memória cache tem esse processador? Qual o barramento, frequência e latência dessas memórias? Qual a velocidade de rotação e latências desse HD? Em que placa-mãe esse sistema está montado?

São perguntas importantes que são ignoradas, mas não deveriam ser. Na maioria das vezes, nem mesmo é citado o fabricante dos componentes, com exceção dos processadores – vou falar deles em um artigo desta sequência – o que pode induzir o comprador a crer que o “fabricante” do computador, no caso de equipamentos de marca, é quem produz tudo e isso não é verdade. Como meu objetivo é desfazer alguns mitos, começo por esse: não há fabricantes de computadores de fato, salvo pouquíssimas exceções – e essas exceções raramente chegam ao nosso alcance – o que há são montadores de computadores. Essas empresas compram os vários componentes de vários fabricantes diferentes, montam um computador com eles e os lançam no mercado como um computador modelo “X”. Aí está o primeiro perigo: como não sabemos praticamente nada sobre esses componentes, nem mesmo sabemos se são ou não de boa qualidade, muito menos o seu real desempenho.

É nessa hora que podemos estar cometendo um grande erro: comprar algo achando que será excelente e no final ter um elefante branco em casa, pois aquele computador que prometia ser super-rápido não é tão rápido assim ou não dá conta de rodar aquele programa ou jogo. Mas como se o processador dele é excelente e tem muita memória? Isso acontece pois existe algum gargalo computacional no sistema. Como eu disse, o desempenho geral é determinado pelo dispositivo mais lento e não pelo mais rápido. Por isso, quando for comprar um computador, analise antes quais serão as aplicações desse computador e busque informações sobre o desempenho de cada componente, assim será mais fácil identificar os gargalos computacionais e tentar eliminá-los do seu sistema. Nos posts seguintes, vou falar mais sobre os gargalos computacionais e os parâmetros de desempenho que devem ser observados em cada componente para evitá-los.

Até lá!

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